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sábado, 11 de abril de 2009

Cada um segura sua imagem!


BRUNO(1)


ÂNGELA

TITA

FLORA


LUZINETE



BRUNO (2)
Cada um segura sua imagem!



Esquartejado por causa de uma chupadinha!

Esquartejado por causa de uma chupadinha fulgaz!
Tudo que existe na terra é natural, só não são os homens e suas criações!

O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.

*Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Mário Quintana


Crônica do Amor ♥


Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.


Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então? Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.


Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.


Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor? Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.


Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó! Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.


Arnaldo Jabor

"Não deixe portas entreabertas, escancare-as ou bata-as de vez. Pelos vãos, brechas e fendas passam apenas semiventos, meias verdades e muita insensatez."(Cecilia Meireles)

Celebração do Inutil Desejo.


Celebração do Inútil Desejo

Jota Quest



Por que você me faz

Andar sem rumo agora

Se não existe sentido

Pra nossa falta de destino?

Por que você me faz

Andar na contramão

E ver em mim pedaços

Que eu nunca conheci?

O que eu preciso saber

Pra te ter comigo de novo

Eu por exemplo, tatuaria em mim

Todas as telas do mundo

Por um sorriso teu... sincero

Por um sorriso teu...sincero

Por que você me faz

Correr tanto

Se uma flor arrancada

Não sobrevive mais que alguns minutos?

Por que você me faz

Andar pra trás se o mundo

Pára e perde a graça

Quando eu te vejo assim partindo

Nem a sede do teu corpo

Bebendo agua em outro

Nem os teus desejos coloridos

Me fazem desistir

E me calam a boca

Por um sorriso teu...sincero

Por um sorriso teu...sincero

Por um sorriso seu...sincero



Celebração do Inútil desejo.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

NÃO É CANSAÇO



Não, não é cansaço...



Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Álvaro de Campos

O TEMPO


O tempo



A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas!

Quando de vê, já é sexta-feira!

Quando se vê, já é natal...

Quando se vê, já terminou o ano...

Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.

Quando se vê passaram 50 anos!

Agora é tarde demais para ser reprovado...



Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.



*Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas... Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo... E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo. Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Mário Quintana

quarta-feira, 18 de março de 2009

SERÁ QUE PRECISAREI DE UM HABEAS-CORPUS PARA SER PLENAMENTE MULHER?


Angela


Cada pessoa possui no seu íntimo o gigante do poder que se não for despertado ficará adormecido por toda a vida e incapaz de assumir o controle imediato do próprio destino.
Sou uma mulher igual as outras mulheres que elaboram o mundo que não lhe pertence; estão no mundo e no mundo quer viver. Mulher que recusa determinadas cumplicidades, renuncia às vantagens, supera às resistências diante da pretensa liberdade; torna-se senhora de si. Vista por outros, o concebe na dualidade, traduzida por conflitos e imposições absolutas. Por um lado, o caminho estranhamente passivo de transcendência ou, talvez, passível de valor. Por outro lado, é uma escolha difícil, angustiante, cheia de tensões existenciais autenticamente assumidas. Compreende-se, se um dos lados impuser na superioridade e nas verdades, estas se estabelecerão como absolutas para explicar o óbvio das coisas que se modificam. Está longe de obter respostas, contestadas ou justificadas. Evidentemente, não há interesse pelo simples fato de ser a mulher cultivando o desejo. Talvez suspeite da própria resignação ou virtude!? Mulher que sabe ser livre e não escrava de regras castradoras da vontade humana.
Raízes se apegam a velha moral mesmo na impolidez familiar ameaçada. Propriedade garantida e privada exige a presença constante da mulher no sólido pretenso encontro do nada. Mulher quando emancipada, torna-se uma ameaça e tentam frear sua libertação, reduzindo-a à condição inferior do processo étero e homólogo de alma negra, não se reconhecendo nenhum lugar tão impróprio e aniquilado em nome da ética e da moral, enquanto os homens fazem as regras do mundo, provocam desentendimentos e disputas. Não encaram a mulher com objetividade pelo desejo do ser humana, mas, como conseqüência de reivindicações fundamentadas em agressividade e adversidade.
O que é ser ou ter-se tornado, é tal qual se manifesta? Existem situações que oferecem oportunidades menores e melhores ou maiores e ruins: o problema consiste no posicionamento sobre o controle dos seus direitos; do combate à mediocridade social; das alucinações de semideuses ou heróis pré-estabelecidos; as escolhas de restos do que teve; do desempenho de seus papéis enquanto mulher. O consolo de dizer ao mundo que não a explore por hábito ou por orgulho, mas, que julguem o que se confrontam com as indiferenças. Mulher é escolhida de resto ou a dedo para ser; ter-se tornado; ter sido feita ou por temer.
Será necessário um habeas-corpus? Não há duvidas! Evidentemente, se necessário for à concorrência feminina. Esta mulher recusa as discriminações e indiferenças. Pode escrever o que muito bem seu espírito reflete, em pensamento, idéias, ações, preferências, a entreter consigo própria. O homem não deve se intimidar com esta mulher, mas, mostrar-se disposto a reconhecer um ser semelhante e diferente, sem mito por muitas razões: não valerá censuras, sacrifícios, vantagens, renúncias, por achar que sonha com o amanhã. Veja-a como um ser único e absoluto, pelos mesmos motivos, enquanto durar o significado das emoções e sentidos, o que a grande maioria não assume, pretensamente.
O privilégio notável é um equívoco de alta grandeza ou um desdém?
Que o eu mulher, goze do privilégio notável e pleno ao transformar-me na condição de subordinada para ser maravilhosamente possuída na vontade justificada do deleite e brilho que recobre o ser feminino.

Ângela Maria Freitas Fonseca, (54) – Graduada em Biblioteconomia e Documentação pela UFBA (1977), Especialista em Arquivologia (1990),DEA em Inteligência Competitiva por Université Aux Marseille/UFBA, Mestre em Ciência da Informação (2007). Gosta de literatura e artes visuais. Seu hobby é fotografia e escrever interpretando as leituras dos livros e fazendo a conexão com o cotidiano

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Os juízes devem ser eleitos ou nomeados?

Os juízes devem ser eleitos ou nomeados?

25/11/2008

Economist

Além de Barack Obama e dos congressistas, nas eleições do início de novembro os norte-americanos escolheram os juízes dos tribunais estaduais. Nenhum outro país do mundo elege magistrados por meio do voto popular.
No Tribunal Internacional de Justiça e no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos os juízes também são eleitos, não pelo voto popular, mas por representantes dos diferentes países. Nada garante que este método coloque nos tribunais pessoas qualificadas ou honestas. Como resultado, decisões que afetam milhões de vidas podem acabar sendo tomadas por pessoas com pouca ou nenhuma experiência judicial.
Conseguir um lugar no Tribunal Internacional de Justiça rende um salário de cerca de US$ 170 mil por ano. Trata-se de uma perspectiva tentadora para juízes que vêm de países pobres, onde recebem apenas um décimo disso. Alguns governos promovem seus candidatos como recompensa pelos serviços prestados.

Um terço das águas do Rio Amarelo, na China, está poluído

Um terço das águas do Rio Amarelo, na China, está poluído

26/11/2008

Guardian

Uma pesquisa feita pelo Comitê de Conservação do Rio Amarelo, o segundo maior da China, revelou que um terço de suas águas está impróprio para o consumo, não pode ser utilizado na agricultura nem mesmo na indústria.
Conhecido como o "rio mãe" da China, ele abastece milhões de pessoas ao norte do país. Nos últimos anos, no entanto, a qualidade da água piorou devido a resíduos industriais e esgoto lançados por cidades que tiveram crescimento rápido e desordenado ao longo das últimas décadas.
A pesquisa, baseada em dados colhidos no ano passado, abrangeu mais de 13 mil quilômetros do rio e dos seus afluentes. O comitê revelou que 33,8% deste sistema estão poluídos e a água de apenas 16% deles é segura para uso doméstico. Em 2007, foram despejadas 4,29 bilhões de toneladas de resíduos e esgoto nesse sistema.

OUTUBRO SANGRENTO


Outubro sangrento

26/11/2008 12:02:52

Produzir o visceral exige que se esqueça o instante em que recebeu o relógio dele. O relógio e todas as coisas. Bolsa, escova de dentes, camisas, dinheiro. Mas o relógio antes de tudo. O que marcava o relógio, para sempre fixado nas três horas, que tempo para sempre ele parara, cessara de reproduzir, não mais referira, porque não mais havia o tempo? Fico pensando nesse relógio e nesse tempo. Que tempo para sempre ele parara? No dia 22 de outubro de 1973 eu estava preso na Penitenciária Lemos Brito, no bairro da Mata Escura, em Salvador.
Tempo, o relógio marca o tempo. Será que chovia naquele final de manhã? Não creio. O verão já devia estar a caminho com sua face brilhante. Salvador é terra de verão, que sempre chega cedo. Não desconfiava da iminência da morte. Estranho. Sempre que me lembro da Lemos Brito penso em chuva e vento. Pareciam mais fortes lá. O vento e a chuva. Pareciam constantes na Mata Escura. Sibilavam por entre as frestas das celas.
Gildo Macedo Lacerda, dirigente da organização revolucionária Ação Popular foi preso nesse dia às onze horas e quarenta minutos no momento em que saía de casa, à Rua Luiz Tarquínio, 50, no bairro da Boa Viagem, em Salvador. Mariluce Moura, jornalista, também militante da AP, sua mulher, foi presa uma hora depois em frente ao Elevador Lacerda, na Cidade Baixa, em um ponto de ônibus na Praça Cairu, ali nas cercanias do Mercado Modelo e da então Superintendência da Polícia Federal. Três homens a agarram, violentamente, e levam-na para a sede da Polícia Federal, ali pertinho. Ela estava grávida de poucas semanas.
De Tessa. Que nunca verá o pai. É, Tessa não conhecerá o pai. Gildo será assassinado pela ditadura. Vamos falar de Gildo, dessa odisséia. Pela importância de Gildo. E para que não nos cansemos de dizer que os assassinos torturadores têm de ser punidos. Dura, uma rocha, queria ser uma rocha, ah, se não lhe doesse a nuca, gelada, queria ser fria, morta, anestesiada, insensível, ah, se não lhe ardesse. Se não lhe batesse com furor o coração, com tanto furor que temia que não lhe vissem apenas a frieza e o ódio que eram para ser vistos, tomou o relógio, olhou-o amorosamente, guardou-o na bolsa, recolheu o amor e levantou o rosto para fixar o homem que lhe devolvia os pertences.
Entre os vários presos naquele dia, Oldack Miranda. À noite, ainda 22 de outubro de 1973, Mariluce e Gildo foram separados, cada qual ficou em um ambiente diferente. Mariluce ainda se recorda ter podido lançar um olhar longo, amoroso e angustiado para Gildo. O último olhar. Amor e desalento num cenário de terror. Um olhar de quem nada podia. Nunca mais o veria. Nunca mais.
No dia 23, Mariluce foi transferida para o Quartel do Forte de São Pedro, no Centro de Salvador. Gildo e Oldack foram levados para o Quartel do Barbalho, no bairro do Barbalho, local tristemente famoso como centro de torturas. Nesse mesmo dia, Mariluce foi conduzida a um local ignorado, vendada e torturada. Gildo foi violentamente torturado no Barbalho e dois dias depois transferido para o DOI-CODI de Recife. O coronel Luiz Arthur de Carvalho expediu um ofício entregando Gildo aos cuidados do Exército Brasileiro.
No Recife, a violência aumentou. Gildo foi massacrado, até a morte, assassinado pelos verdugos. Gildo era dirigente nacional de Ação Popular. E por isso, os torturadores tentaram, de todas as formas, as mais cruéis que se possa imaginar, arrancar dele preciosas informações para prender mais militantes da organização revolucionária. Gildo não revelou nada. Morreu sem nada dizer, seis dias depois de sua prisão, dia 28 de outubro de 1973.
Também não sei se chovia naquele 28 de outubro. Eu estava na Penitenciária Lemos Brito. Sabia das prisões dos companheiros e das companheiras. Havia conhecido tanto Mariluce quanto Gildo. Oldack, ainda não. Imaginara, talvez ingenuamente, que alguns dias depois Gildo chegaria à Lemos Brito, e que nós cantaríamos nosso hino: "Nos quartéis cruéis da ditadura, não se rompe nosso elo solidário, sempre existe aceso em nosso peito a criação do partido proletário...".
Não, não cantamos. Gildo se foi, para sempre. Oldack Miranda, ultimo a ver Gildo vivo em Salvador, será, também, transferido para Recife e lá torturado barbaramente. Eles não se conformavam com o fato dele ter escapado do Vale do Pindaré-Mirim, no Maranhão, onde estivera junto com o líder camponês Manoel da Conceição, ter cumprido 6 meses de prisão na Penitenciária de Linhares, em Minas Gerais, e depois ter voltado à vida legal, sem ter revelado nada à repressão. Vingaram-se, sabendo que não havia muita coisa mais a retirar dele, passado tanto tempo. Crueldade pura, violência em estado bruto.
Acordava de madrugada – havia sempre o medo de perdê-lo para alguma maldita prisão – e punha-se a olhar embevecida o corpo nu do seu homem. Às vezes ele acordava, respondendo a esse olhar e puxava-a para si em abraços amorosos. - O que há, pretinha? Venha aqui,durma.
Mariluce, no dia 25 de outubro daquele ano de 1973 – que me desculpem os leitores se insisto nas datas, com ano e tudo – recebeu a notícia de que Gildo fora levado para uma "loooonga viagem". Dito assim, com deboche, para a morte. No dia 1º de novembro daquele mesmo ano, Mariluce recebe a visita de um oficial que se dizia capelão. Nós, presos políticos, tínhamos horror a capelães. Eram figuras odiosas. Pelo que tinham de farisaicas, aquelas vozes mansas, melífluas, de quem anuncia a morte com suavidade.
Uma vez, na Lemos Brito, eu fui encarregado pelo coletivo dos presos de dizer ao capelão que nós não queríamos mais a visita dele. E o fiz. E não o recebemos mais. Chamava-se Generoso, o capelão. Capitão Generoso.
Mariluce parecia adivinhar o que o oficial-capelão vinha lhe dizer. "Seu marido está morto desde o dia 28 de outubro". Parecia o fim de tudo. O tempo parou. O mundo desabou. Gildo teria sido morto em tiroteio em Recife. Essa versão foi dada pelo Jornal Nacional na noite de 31 de outubro, numa matéria longa, naturalmente editada por inspiração dos órgãos repressivos. A Rede Globo servia como um destacamento avançado da ditadura.Os demais veículos de comunicação seguiam na mesma esteira.
Nunca Mariluce ou os pais tiveram respeitado o sagrado direito de enterrar o corpo de Gildo. Até hoje. É um dos desaparecidos da ditadura. Foi "desaparecido" pela ditadura. Quem era esse rapaz, morto aos 24 anos de idade, pela ditadura terrorista? Nasceu em Ituiutaba, Minas Gerais, em julho de 1949. Aos 14 anos, mudou-se para Uberaba, acompanhando sua família. Estuda no Colégio Triângulo, onde preside o Grêmio Estudantil Machado de Assis e participa do Núcleo Artístico de Teatro Amador. Torna-se militante de Ação Popular – mais tarde Ação Popular Marxista-Leninista. Com apenas 17 anos, muda-se para Belo Horizonte, onde faz o 3º ano científico. Em 1968, ingressa na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Logo torna-se uma referência no movimento estudantil. E em 1968, enfrenta a primeira prisão. No já famoso Congresso da Une, em Ibiúna, São Paulo.
Queria, meu amor, poder falar de prisão, torturas e assassinatos e só posso falar como ecoaram em mim. Devo lhe falar do meu medo de que nossas cabeças reajam com naturalidade a essas coisas, por tê-las visto em excesso. Queria que você entendesse como tremo diante da possibilidade de estarmos já anestesiados diante de tanta violência, porque concluímos, meio distraídos, que o mundo em que estamos vivendo é assim mesmo. Algo se harmonizar em nós, sei que não é se anestesiar para a violência. Além de queda, coice. É preso e depois expulso da Universidade, com base no decreto-lei 477. É deslocado para São Paulo. Deslocado? Não sei se já houve estudos em torno dos termos usados por nós à época.
Deslocado era um termo utilizado para referir-se à decisão de uma organização revolucionária de mudar um quadro político de um lugar para outro. Gildo foi deslocado para o ABC paulista. Em abril de 1969, um mini-congresso foi realizado em Jacarepaguá, bairro do Rio de Janeiro, e Gildo é eleito vice-presidente da UNE para a gestão 1969/1970. Em maio de 1972, é deslocado para Salvador. Torna-se Cássio Oliveira Alves, nome sob o qual vivia e trabalhava. Conhece Mariluce no dia 11 de junho de 1972, e se apaixonam. Casam-se no dia 28 de outubro de 1972, em cerimônia religiosa dirigida pelo padre Tiago Sonneville, na casa de Mariluce, no bairro do Lobato, Subúrbio de Salvador. Passam a residir à Rua Luiz Tarquínio, 50, numa típica vila operária, no bairro da Boa Viagem. Em junho de 1973, Mariluce é alertada por Aldenice Nascimento dos Santos, do Jornal da Bahia, de que algumas pessoas a estavam investigando, querendo saber da vida dela. Bráulio Ribeiro da Silva, um dos diretores do Jornal da Bahia, onde ela trabalhava, resolveu recorrer ao superintendente da Polícia Federal, coronel Luiz Arthur de Carvalho, para saber se havia alguma coisa contra Mariluce. - Não – foi a resposta do coronel.
Quando tenho insônia, meu amor, e é muito comum que eu a tenha, às vezes me surpreendo diante do meu próprio horror, provocado pela conclusão primária de que foi o fato de ousar pensar diferente e a tentativa de agir segundo esse pensar, que determinou o assassinato frio de tanta gente. O coronel Luiz Arthur que, aliás, foi quem me mandou para a tortura quando fui preso em 1970, pediu que o avisassem na hipótese de que aquilo se repetisse. Mandaria prender os responsáveis pela suposta investigação. Tudo parte do teatro. Logo depois, outro diretor do Jornal da Bahia, Gustavo Tapioca, advertiu Mariluce de que ela de fato estava sendo investigada em decorrência de seu casamento com Gildo que, àquele momento, trabalhava na empresa Hidroservice como chefe de pesquisas de mercado. O resto, sabemos nós. Prisão e morte. Assassinato.
Sabemos hoje. Mariluce e Gildo não sabiam que desde fevereiro de 1973, um militante de Ação Popular estava trabalhando ativamente para a repressão. Era Gilberto Prata Soares, que decidira abandonar o trabalho revolucionário e a AP em 1971. A repressão o localizou novamente em Goiânia trabalhando na Eternit. Fizeram-lhe a proposta de salvar a irmã, Maria Madalena Prata Soares, casada com José Carlos Novais Mata Machado, também dirigente da AP, desde que ele colaborasse para entregar os principais dirigentes da organização. Ele aceitou. Fez contato com a AP, disse querer voltar à atividade política revolucionária. E tornou-se um dos mais eficientes cachorros da repressão, como ele próprio irá mais tarde, no natal de 1983, confessar à própria irmã, não sem antes tomar um porre para ganhar coragem.
A Ação Popular Socialista – aquela parte da AP que não aderira ao PC do B – teve sua direção praticamente dizimada pela atuação de Gilberto Prata. A ele se devem as mortes e desaparecimentos de Paulo Stuart Wright, Eduardo Collier Filho, Humberto Câmara Neto, Fernando Santa Cruz, Honestino Guimarães, José Carlos Novais da Mata Machado e Gildo Macedo Lacerda. Todos assassinados no outubro sangrento de 1973. Dia 23 de outubro de 2008.
A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, exatamente 35 anos depois, concede anistia política a Gildo Macedo Lacerda. Em nome do Estado brasileiro o presidente da Comissão da Anistia, Paulo Abrahão, pede desculpas à família, por todo o sofrimento irreparável causado.
Como não continuar a luta pela punição dos torturadores e assassinos? Essa é a pergunta que não quer calar. Que não pode calar.
Quero meu medo e meu horror em estado bruto, quero puramente senti-los, quero conservar toda minha impotência para compreender essas mortes, quero gelar, tremer, suar e chorar ao lembrar esses mortos, porque só assim posso crer que não mataram também e inteiramente a minha sensibilidade. (As citações que intercalam o texto são do livro A Revolta das Vísceras, de Mariluce Moura, editado pela Editora Codecri, de 1982, que tenta, pela ficção, capturar o dramático momento da morte de Gildo, o terror que a circundou e revelar o profundo amor que uniu os dois).

Emiliano José
Direto de Salvador

Vilões e heróis

quarta, 26 de novembro de 2008 às 17:59

Vilões e heróis

Há quem volte ao assunto do Bem contra o Mal, ou vice-versa. Ou, por outra, à inesgotável dicotomia de heróis e vilões. Apresso-me a esclarecer que, na minha opinião e na dos meus botões, homens de boa e má vontade existem em todas as classes sociais, em todas as raças, em todos os países. A Máfia, por exemplo, é a imagem perfeita e acabada da maldade. Ela é citada por vários navegantes. Anoto, entretanto, que não resulta de miséria, como se dá, em muitos aspectos, no caso da criminalidade nativa. A Máfia é establishment, vale-se da indulgência dos governos e explora o medo generalizado de ricos e pobres e o vício de tantos. No Brasil, o poder assemelha-se bastante à Máfia. Como observa, aliás, a navegante Waleria. Insisto, de todo modo. Os vilões nativos militam na minoria privilegiada, ainda que vilão também seja Fernandinho Beira-Mar. O qual, porém, expõe-se a riscos que os donos do poder jamais correrão. Edmundo Adorno diz que vilania é a do povo, submisso, resignado, alienado. Sim, a incapacidade de reação às humilhações diuturnas por parte do povo brasileiro me entristece, mas vilania não é. Que esperar de massas que ainda trazem no lombo a marca do chicote da escravidão. A maioria vive em um limbo trágico, abandonada ao seu destino por uma elite feroz, voltada exclusivamente para a satisfação imediata dos seus interesses. E o País? Que se moa.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Uma entrevista para emprego‏

UMA ENTREVISTA PARA EMPREGO!

Um sujeito está em uma entrevista para emprego.O psicólogo dirige-se ao candidato e diz:
- Vou lhe aplicar o teste final para sua admissão.
- Perfeito, diz o candidato.
Aí o psicólogo pergunta:
- Você está em uma estrada escura e vê ao longe dois faróis emparelhados vindo em sua direção. O que você acha que é?- Um carro, diz o candidato.
- Um carro é muito vago. Que tipo de carro? Uma BMW, um Audi, um Volkswagen?
- Não dá pra saber né?
- Hum..., diz o psicólogo, que continua: Vou te fazer uma outra pergunta:
- Você está na mesma estrada escura e vê, só um farol vindo em sua direção, o que é?
- Uma moto, diz o candidato.
- Sim mas que tipo de moto? Uma Yamaha, uma Honda, uma Suzuki ?
- Sei lá, numa estrada escura, não dá pra saber (já meio nervoso).
- Um..., diz o psicólogo. Aqui vai a última pergunta:
- Na mesma estrada escura você vê de novo só um farol, menor
que o anterior. Você percebe que vem bem mais lento. O que é?
- Uma bicicleta.
- Sim mas que tipo de bicicleta, uma Caloi, uma Monark?
- Não sei.
- Você foi reprovado! - Diz o psicólogo.
Aí o candidato muito triste com o resultado, dirige-se ao psicólogo e fala:
- Mesmo eu não sendo aprovado achei interessante esse teste. Posso fazer uma pergunta ao senhor, nessa mesma linha de raciocínio?
E o psicólogo satisfeito responde, claro que pode!
- O senhor está tarde da noite numa rua mal iluminada. Aí vê uma moça com maquiagem carregada, vestidinho vermelho bem curto, girando uma bolsinha, o que é?
- Ah! - diz o psicólogo - é uma puta. - Sim, mas que puta? Sua irmã? Sua mulher? Ou a puta que lhe pariu?

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Nova Jornada depois das eleições

Depois das eleições municipais estamos novamente na estrada, caminhando em busca de alternativas coerentes e capazes de fazer melhor pela cidadania.

Continuaremos na luta!

domingo, 24 de agosto de 2008

OS DEZ MANDAMENTOS DOS MÉDICOS DO SUS

Os 10 mandamentos dos médicos do SUS


Enviada:
domingo, 24 de agosto de 2008 14:33:51
Para:

1 - Se você não sabe o que tem, dê VOLTAREN;
2 - Se você não sabe o que viu, dê BEZETACIL;
3 - Apertou a barriga e fez 'ahn', dê BUSCOPAN;
4 - Caiu e passou mal, dê GARDENAL;
5 - Tá com uma dor bem grandona? Dê DIPIRONA;
6 - Se você não sabe o que é bom, dê DECADRON;
7 - Vomitou tudo o que ingeriu, dê PLASIL;
8 - Se a pressão subiu, dê CAPTOPRIL;
9 - Se a pressão deu mais uma grande subida, dê FUROSEMIDA!
10 - Chegou morrendo de choro, passe um SORO.
E mais: Arritmia doidona, dê AMIODARONA...
Pelo não, pelo sim, dê ROCEFIN.
NÃO ESQUECENDO QUE O DIAGNÓSTICO É QUASE SEMPRE VIROSE!!!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

"Se é crime financeiro, de falcatrua, não há necessidade de algema".


Encontrei na minha mesa uma frase que enriquece as letras jurídicas do nosso país e mostra a riqueza da nossa cultura jurídica. A frase entrou para a hemeroteca do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone e foi marcada, grifada, pelo meu lápis-falante. O lápis é conhecido por Duque de Alba e tem sangue-azul, ou melhor, ponta azul. Apesar de o Duque de Alba estar em fase terminal, por causa de um apontador voraz, ele ainda me ajuda muito na seleção de frases fundamentais para as letras jurídicas. A frase selecionada é do ministro Marco Aurélio de Mello. O ministro Marco Aurélio de Mello foi indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo seu primo Collor de Mello, quando era presidente. O ministro Marco Aurélio disse o seguinte: "Se é crime financeiro, de falcatrua, não há necessidade de algema". Em razão da frase, o Duque de Alba, meu lápis-falante, entrou em contato telefônico com o PC Farias, que usa um celular blindado, daqueles a prova de fogo do inferno. O PC Farias – aquele da quadrilha do Collor de Mello – concorda com a rica frase do ministro Marco Aurélio de Mello. Ele só lamenta não ter vivido o suficiente para desfrutar da enriquecedora colocação jurídica do ministro Marco Aurélio. Não sei informar se algumas pessoas, como Renan Calheiros, Paulo Maluf, Jader Barbalho e Daniel Dantas, concordam com o ministro Marco Aurélio sobre desnecessidade de uso de algemas em predadores ricos. O ex-banqueiro Salvatore Cacciola, que fugiu depois de uma absurda liminar do ministro Marco Aurélio, já obteve uma decisão do STF para não ser algemado. Afinal, algema é coisa para pobre e Caciolla é rico e poderoso. Poderoso a ponto de ter conseguido se livrar de alguns processos, no acordo de extradição com o Principado de Mônaco. Aliás, acordo muito mal explicado pelo ministro da Justiça. Pelo andar da carruagem, não vai demorar para o verbete da recém editada súmula vinculante de número 11 ser retificado. Dele, depois da frase do ministro Marco Aurélio, poderá constar: "Se é crime financeiro, de falcatrua, não há necessidade de algema".

PM e Policia Civil:Juntos mais com atribuições diferentes

DELEGADOS DE POLÍCIA DA BAHIA - Decisão do Judiciário de São Paulo!!!Para: DELEGADOSDABAHIA@yahoogrupos.com.brData: Terça-feira, 19 de Agosto de 2008, 9:30
Decisão do Judiciário de São Paulo
Decisão do Poder Judiciário de São Paulo onde um tenente coronel da PM representou contra um delegado de polícia, por supostamente não estar autuando em flagrante indivíduos conduzidos por policiais militares, o que, segundo o oficial, estava \"pondo a perder\" o serviço da PM: A Polícia Militar não é órgão censor da Polícia Civil e a recíproca é verdadeira. As co-irmãs são instituições destinadas à manutenção da segurança e da ordem pública, cada uma delas com funções específicas designadas na lei, sem possibilidade de conflitos no âmbito de suas atuações, mercê da perfeita e legal divisão de tarefas.No caso dos autos, que entendo como representação do Comandante do 37º BPMI, Senhor Tenente Coronel PM Miguel Pinheiro, em face de atos de Polícia Judiciária de Delegado de Polícia de Rio Claro, sob autoridade administrativa do Dr. Joaquim Alves Dias, consta que em casos de prisão realizada por militares, quando apresentado o infrator à autoridade policial esta teria colocado o infrator em liberdade sem lavrar o flagrante, pondo a perder o serviço da Policia Militar, em prejuízo da sociedade como um todo.Sem dúvida alguma louvável a preocupação do dinâmico Comandante Ten. Cel. Miguel Pinheiro em proteger a sociedade, de cujo corpo todos nós participamos. Mas, acima de qualquer outro argumento, somos uma sociedade organizada, em que, como já posto em linhas atrás, têm-se funções específicas, atribuídas a cada órgão, instituição social, colocado a consumo da atividade social e como tal assim prestigiado.A Polícia Militar, de longo conceito histórico e glorioso, incumbe o sagrado dever de impedir que as infrações ocorram, via de realização da Polícia Preventiva ou Ostensiva, fincada essa função na presença do Policial Militar fardado e pulverizado no corpo social que defende. A Polícia Civil está afeta a administração da Polícia Judiciária realizando a Polícia Repressiva, que atua depois da ocorrência do fato delituoso, levando seu autor à estrutura do Poder Judiciário, onde se lhe apurará a culpabilidade em sua dimensão \"latu sensu\": responsabilidade e punibilidade, segundo ensinamentos do saudoso e festejado administrativista Helly Lopes Meirelles.Assim, colocada a questão, fácil inferir, por via de conclusão, que a autoridade policial, por excelência e na forma de nossa estrutura legal, que suporta a organização da Secretaria de Segurança Pública, é o DELEGADO DE POLÍCIA. A ele incumbe, mercê de sua formação jurídica e por exigência de requisitos para o ingresso na carreira policial, apreciar as infrações penais postas por seus agentes (policiais, genericamente entendidos), sob a luz do Direito, máxime, em se cuidando de Segurança Pública, do DIREITO PENAL.Sempre que tiver conhecimento de uma infração penal o Delegado de Polícia (autoridade policial por excelência) deve fazer uma avaliação, a fim de visualizar se se cuida fato típico, como espelha a Teoria da Tipicidade, o \"TATBESTAND\ " do Direito Alemão, ou não, daí procedendo de acordo com o que a lei regrar. Do mesmo modo, concluído que se cuida de \"fato típico\", incumbe ao Delegado de Polícia, por via da formulação de um juízo de valor, decidir se se trata de prisão em flagrante, em quase-flagrante (flagrante próprio e impróprio), flagrante preparado, ou, se, efetivamente, não houve flagrante.A formulação desse juízo de valor não tem regra matemática a ser seguida. Cuida-se de uma avaliação subjetiva, realizada com os supedâneos do conhecimento jurídico e da experiência, amealhada ao longo da carreira policial. É conhecimento personalíssimo e ao abrigo de qualquer influência externa. Corolário do exposto não é falho afirmar-se que entregue o fato à Autoridade Policial, por qualquer agente de sua autoridade, aquela primeira etapa do procedimento administrativo policial está exaurida. E se é cômodo afirmar que \"o caso foi levado ao conhecimento da autoridade policial\" mais cômodo, ainda deve ser, após, não se fazerem ingerências no âmbito de outras atribuições, como a respeito verberaram todos os Meritíssimos Juizes de Direito e Promotores de Justiça que atuaram neste procedimento (fls. 15 a 22 e 24 a 35), cujos argumentos encampo para subsídios de minhas conclusões.Entendo, com o abono das manifestações expendidas nestes autos, pelos meus colegas, que a presente representação só teria sentido se atribuído fosse fato criminoso à autoridade policial, o que, me parece, efetivamente, não houve, e nem foi propósito tal desta representação ao Juiz de Direito, Corregedor da Polícia Judiciária da Comarca de Rio Claro.Repito, para bem cumprir sua missão é dever do Delegado de Polícia proceder a uma formalização, mesmo que precária de tipicidade, pois a definitiva incumbe ao Ministério Público, do fato criminoso a si colocado, para daquela tipicidade precária tirar efeitos jurídico-processuais, bem assim decidir se é infração da qual o agente se livra solto, mediante fiança, ou sem direito a fiança (inafiançável) , ou se se cuida de crime hediondo ou qualquer outro, para pedir a segregação temporária do indiciado se julgar necessário, caso não opte pela flagrância do delito.Todo esse complexo desenrolar subjetivo está afeto ao Delegado de Polícia, em cuja atividade funcional está a salvo de qualquer interferência, mesmo do Ministério Público, órgão de fiscalização externa da Polícia Civil (C.F./88 e L.O.M.P.), caso não haja, na espécie, a prática de ilícito (advocacia administrativa, favorecimento pessoal, corrupção etc.) de parte da autoridade policial atuante.Para completar o raciocínio aqui desenvolvido é oportuno colocar que na estrutura da Secretaria de Segurança Pública, as autoridades administrativas hierarquizadas são o Governador do Estado, seu Secretário da Segurança Pública e o Delegado de Polícia Judiciária. Todos os demais integrantes dessa complexa estrutura são \"agentes da autoridade policial\" que os doutos chamam de \"longa manus\", em substituição ao particípio presente do verbo agir para tal fim substantivado.Assim, são agentes da autoridade policial judiciária, que é o Delegado de Polícia, toda a Polícia Militar, desde seu Comandante Geral até o mais novo praça e todo o segmento da organização Polícia Civil, bem assim o I.M.L., I.P.T etc... e nenhuma dessas categorias podendo influenciar os atos da autoridade policial, enquanto \"atos de polícia judiciária\" sujeitos a avaliação jurídico-subjetiva.Ademais, se o ilícito foi apurado via \"persecutio criminis\" pela instauração de inquérito policial, iniciado por portaria e não por ato de prisão em flagrante, essa situação não retira, jamais, a nobreza do ato do policial militar que, despojando-se da própria vida cumpre o seu altruístico dever de defender a sociedade, aliás o que a gloriosa Polícia Militar do Estado de São Paulo, tão bem sabe fazer.Ante o exposto e não havendo \"in casu\", ilícito algum de interesse desta Corregedoria, arquivem-se os autos, dando-se ciência desta decisão ao Sr. Tenente Coronel PM Miguel Pinheiro, dinâmico Comandante do 37º B.P.M.I. do Rio Claro e ao Dr. Joaquim Alves Dias, competente Delegado Seccional de Polícia de Rio Claro.Rio Claro, SP;Julio Osmany BarbinJuiz de Direito

Estudo revela aumento de zonas mortas nos mares do mundo


15/08/2008 - 12h25

As zonas mortas nos oceanos do mundo, onde a ausência de oxigênio impede o desenvolvimento de vida marinha, aumentaram mais de um terço entre 1995 e 2007, revela um estudo divulgado hoje pela revista "Science". Os principais fatores dessa catástrofe oceânica são a contaminação por fertilizantes e a queima de combustíveis fósseis, segundo cientistas do instituto de Ciências Marinhas da Universidade William and Mary, na Virgínia, e da Universidade de Gotemburgo, na Suécia. O aumento das zonas mortas no mar transformou-se no principal agente de pressão sobre os ecossistemas marítimos, no mesmo nível da pesca excessiva, perda de habitat e outros problemas ambientais. Segundo os cientistas, seu aumento se deve também a certos nutrientes, especialmente o nitrogênio e o fósforo, que ao entrarem em excesso nas águas litorâneas causam a morte de algas. Ao morrer, essas plantas microscópicas se afundam e se transformam em alimento de bactérias que, durante a decomposição, consomem o oxigênio a sua volta. Na linguagem científica, esse processo da diminuição progressiva de oxigênio se chama "hipoxia". Segundo Robert Diaz, professor do Instituto de Ciências Marinhas, e Rutger Rosenberg, cientista da Universidade de Gotemburgo, atualmente existem 405 zonas mortas em águas próximas às costas em todo o mundo, o que representa uma superfície de mais de 26.500 quilômetros quadrados. De acordo com o cientista, no início do século passado só havia quatro zonas mortas, número que passou para 49 em meados de década de 1960, 87 na de 1970 e para 162 na de 1980.